quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pobre Apodi

Quanto vale a vida de um professor na cidade de Apodi?



Leia o relato à baixo que foi escrito pelos professores, sobre a situação do ônibus que faz o transporte escolar de professores e alunos de Apodi.

Que país é este? Já indagava Renato Russo na letra de uma de suas mais belas canções que retratam a realidade crua dos problemas sociais brasileiros. E nós perguntamos, que cidade é esta? É vergonhoso ouvir do secretário de transporte que ele não tinha conhecimento das "reais condições" em que se encontra o ônibus que transporta professores e alunos diariamente até o Distrito de Soledade.

No primeiro dia de aula do corrente ano o motorista teve que se jogar em direção a um muro por falta de freio no ônibus (e este havia acabado de passar por uma revisão). Pensando na segurança de todos que se utilizam do transporte escolar para se deslocar até o local de trabalho, fizemos uma parada das atividades até que se providencie um carro com o mínimo de segurança necessária para o deslocamento de seus usuários.

E como reflexão deixamos a análise de Hélio de souza Filho, um analista político em resposta a pergunta de Renato Russo lançada em 1987.

Pobre país...

Pobre país que noite após noite, dorme inebriado de esperança e acorda entorpecido pela crueza da realidade que, dia a dia lhe subtrai, paulatinamente, a expectativa de sonhar... Pobre país que se deixa enganar por justificativas irrisórias de acontecimentos inexplicáveis pela simples espera de estar frente ao último, fingindo ignorar que já, há muito deparou-se com aquele que deveria ser o derradeiro...

Pobre país que convive com irregularidades e vilezas que o faz acreditar que as leis existem para disseminar e preservar as injustiças... Pobre país dos ignorantes, que, na ausência de conhecimento, buscam na estupidez de suas escolhas tirar proveito daquilo que lhes é devido por direito...

Pobre país das CPIs, onde as apurações satisfazem egos e massageiam vaidades,e apresentam, nos holofotes, defensores intransigentes da probidade, como se as conclusões não obedecessem ao velho ritual dos acordos antecipados na perfídia das alcovas parlamentares...

Pobre país onde pequenas minorias impõem suas vontades e, paparicadas por políticos inescrupulosos, pretendem desqualificar, de uma só vez, valores, costumes e tradições, firmados e cultuados ao longo da história...

Pobre país onde sob o subterfúgio da discriminação a discordância em procedimentos é apresentada como delito, como se a liberdade de expressão fosse prerrogativa apenas daqueles que se nomeiam discriminados...

Pobre país que assiste seus presidentes do Legislativo Federal,Câmara e Senado serem afastados de seus cargos sob suspeita de corrupção e, mesmo assim, serem cortejados pelo chefe de Executivo Federal, como se seus modos fossem naturais na república dos imorais...

Pobre país onde honra, honestidade e caráter deixam de ser valores cultuados como atributos e, aos poucos, passam a ser vistos como aberrações...


Por Professores da Escola Municipal FranciscoTargino da Costa - Distrito de Soledade.

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O Dr. num pega uma letra pra esse povo

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